Compra de Precatórios Federais: como funciona e quanto vale

  • Setembro, 08 | 2026
  • Leitura: 18 min
Compra de Precatórios Federais: como funciona e quanto vale

Se você possui um precatório e está considerando vendê-lo, é essencial estar bem informado sobre o processo de compra de precatórios federais. O mercado de precatórios segue crescendo, com novas regulamentações e oportunidades, mas também com a necessidade de cautela e cuidados. 

Pensando nisso, neste artigo, reunimos tudo o que você precisa saber antes de vender o seu precatório, desde as razões para considerar a venda até os cuidados ao escolher um comprador confiável.

O que é um precatório federal?

Um precatório federal é, na prática, uma dívida que o governo federal tem com você, reconhecida por decisão judicial definitiva. Isso significa que você entrou com uma ação na Justiça contra a União (o governo federal), ganhou, e a decisão já não pode mais ser contestada por recursos. 

O juiz então emite uma ordem de pagamento chamada precatório, determinando que o governo pague o valor que te deve.

Esses créditos surgem das situações mais variadas. São comuns em casos de diferenças salariais de servidores públicos, INSS, indenizações reconhecidas judicialmente, ações relacionadas ao FUNDEF (fundo educacional que gerou uma grande dívida histórica do governo com professores), entre outras.

Precatório alimentar e precatório comum: qual a diferença?

Nem todo precatório é igual. A Constituição Federal divide os precatórios em duas categorias principais, e essa diferença tem impacto direto no prazo de pagamento.

  1. O precatório alimentar é aquele que surge de dívidas ligadas à subsistência e ao trabalho. Isso inclui salários atrasados, aposentadorias, pensões, benefícios previdenciários e indenizações decorrentes de morte ou invalidez. A Constituição Federal, no artigo 100, parágrafo 1º, diz:

“Os débitos de natureza alimentícia compreendem aqueles decorrentes de salários, vencimentos, proventos, pensões e suas complementações, benefícios previdenciários e indenizações por morte ou por invalidez, fundadas em responsabilidade civil, em virtude de sentença judicial transitada em julgado, e serão pagos com preferência sobre todos os demais débitos.”

Ou seja, os precatórios alimentares têm preferência na fila de pagamento. Eles são pagos antes dos precatórios comuns.

  1. O precatório comum é todo aquele que não se enquadra na definição acima. Indenizações civis, contratos com a administração pública, desapropriações de imóveis, entre outros. Esses entram em uma fila cronológica separada, sem a prioridade garantida aos alimentares, o que costuma significar um tempo de espera maior.

Quer entender em detalhes o que é precatório e como ele funciona desde o início? Leia nosso artigo em que pontuamos todos os detalhes com calma para você.

E o que é uma RPV?

Além dos precatórios, existe a RPV, que significa Requisição de Pequeno Valor. Ela funciona de forma parecida com o precatório, mas é destinada a créditos de valor menor. Na esfera federal, o limite em 2026 é de 60 salários mínimos (R$ 97.260,00 com o salário mínimo de R$ 1.621,00).

A diferença mais importante entre uma RPV e um precatório é o prazo. Enquanto um precatório pode levar anos para ser pago, uma RPV tem prazo legal de até 60 dias após a expedição da ordem judicial. 

Isso porque a RPV não entra na fila orçamentária anual dos precatórios: ela é processada de forma independente, com fluxo próprio de pagamento. Se o seu crédito estiver abaixo do limite, o juiz expede uma RPV, não um precatório. Se estiver acima, expede um precatório.

Como funciona a compra de um precatório federal?

A compra de um precatório é uma operação jurídica chamada de cessão de crédito. Esse termo pode parecer complicado, mas o conceito é simples: você tem um direito de receber um valor do governo no futuro, e transfere esse direito para outra pessoa ou empresa. Em troca, você recebe um valor agora, mediante um deságio, sem precisar esperar o governo pagar.

Quem recebe o crédito cedido é chamado de cessionário. Quem transfere é o cedente (você, o credor original). A partir dessa transferência, o cessionário passa a aguardar o pagamento do governo no seu lugar.

Essa operação é garantida pela Constituição Federal, no artigo 100, parágrafo 13:

“O credor poderá ceder, total ou parcialmente, seus créditos em precatórios a terceiros, independentemente da concordância do devedor, não se aplicando ao cessionário o disposto nos parágrafos 2º e 3º.”

Em termos simples: a própria Constituição garante que você pode vender seu precatório para quem quiser, sem precisar pedir autorização ao governo. O cessionário pode ser uma empresa especializada, um fundo de investimento, um familiar ou qualquer pessoa física ou jurídica que queira adquirir o crédito, mas que tenha tais recursos financeiros para poder exercer a compra.

Quem compra precatórios federais?

Essa é uma das perguntas mais comuns, e a resposta costuma surpreender quem está começando a pesquisar sobre o assunto.

Bancos tradicionais compram precatório?

Não. Bancos como Banco do Brasil, Santander, Itaú ou Bradesco não oferecem a compra de precatórios como produto ou serviço em suas agências, aplicativos ou plataformas digitais. 

Quem pesquisa “se o Banco do Brasil compra precatórios” ou “se o Santander compra precatório” acaba descobrindo que esses serviços simplesmente não existem nessas instituições. Para entender de forma ampla qual banco compra precatório, temos um artigo específico sobre o tema.

O mercado de compra e venda de precatórios é operado por empresas especializadas, como a PrecPago. Ou seja, são empresas com estrutura jurídica, financeira e operacional dedicada exclusivamente a esse tipo de ativo. Elas têm equipes que entendem as particularidades de cada tipo de precatório, os riscos envolvidos e os prazos de pagamento de cada tribunal.

O que é o deságio e quanto você vai receber?

Como citamos, quando você vende um precatório, você não recebe o valor total do crédito, recebe um valor menor, porque a empresa que está comprando vai precisar esperar o governo pagar, e esse tempo tem um custo. A diferença entre o valor total do seu precatório e o valor que você recebe na venda é chamada de deságio.

O deságio existe porque a empresa compradora está assumindo dois tipos de ônus que antes eram seus: o risco (de o governo atrasar ou de surgir algum problema jurídico) e o custo de oportunidade (o dinheiro que ela investe para comprar o seu crédito fica imobilizado durante todo o tempo que leva até o governo pagar).

Quanto maior o prazo estimado de pagamento e quanto maior o risco jurídico envolvido, maior tende a ser o deságio. Quanto mais curto o prazo e mais seguro o processo, menor o desconto. Para entender em detalhes como o deságio em precatório federal é calculado, leia nosso outro artigo sobre o assunto.

O que define o valor da proposta?

O valor que uma empresa vai oferecer pelo seu precatório depende de uma combinação de fatores:

Tipo do precatórioOs precatórios alimentares, por terem prioridade de pagamento garantida pela Constituição, representam um risco menor para o comprador. Por isso, o deságio aplicado a eles tende a ser menor, e o valor que você recebe tende a ser maior. Precatórios comuns, que ficam em uma fila mais longa e sem prioridade, costumam ter deságios maiores.
Prazo estimado de pagamentoQuanto mais distante a data prevista para o governo pagar, mais tempo o capital da empresa fica imobilizado. Isso aumenta o deságio. Um precatório federal com pagamento previsto para o próximo ano vai ter uma proposta melhor do que um precatório estadual sem data definida.
Situação jurídica do processoSe existem recursos pendentes, contestações ao valor ou qualquer tipo de questionamento jurídico ainda em aberto, o risco para o comprador aumenta. Isso se reflete no valor da proposta.
Valor total do créditoEm alguns casos, precatórios de valor mais alto podem ser negociados em condições diferenciadas, pois representam uma operação maior para a empresa compradora.

De forma geral, não existe uma tabela ou um guia padrão para a porcentagem de deságio no Brasil, pois isso depende de cada caso e tudo que envolve particularmente aquele processo. Cada caso é diferente, e a única forma de saber o valor real do seu precatório é solicitando uma proposta formal.

Por que alguém decide vender um precatório?

Realizar a antecipação de seu precatório é uma escolha e um direito seu, conseguir sair de toda a burocracia do governo, tempo de espera e riscos envolvidos é uma escolha que você pode tomar.

Em geral, são fatores que fazem com que o credor realize a antecipação:

  1. Necessidade financeira urgente

Despesas de saúde, dívidas com juros altos, perda de renda familiar, o início de um negócio. Há situações em que ter acesso ao dinheiro agora é mais importante do que receber o valor total daqui a vários anos.

  1. Incerteza sobre quando o governo vai pagar

Essa é uma das razões mais comuns e, depois da aprovação da Emenda Constitucional 136/2025 (EC 136/2025), passou a pesar ainda mais na decisão de muitos credores. Que vamos explicar com mais detalhes

  1. O dinheiro hoje pode valer mais do que o dinheiro corrigido amanhã

Mesmo que o precatório seja corrigido monetariamente ao longo do tempo, isso não significa necessariamente que esperar é o melhor negócio, uma vez que o índice de correção pode não ser o mais vantajoso. 

Vale lembrar que se você receber o seu precatório diretamente do governo (sem vender), o valor precisará ser declarado no Imposto de Renda. Para entender como fazer isso corretamente, leia nosso artigo e saiba como declarar precatório no Imposto de Renda.

O que mudou com a EC 136/2025?

A Emenda Constitucional 136/2025, aprovada em setembro de 2025, é uma mudança nas regras da Constituição que alterou a forma como o governo paga os precatórios. Para entender o impacto, é preciso entender um pouco do contexto.

Antes da EC 136/2025, havia regras mais rígidas sobre quando os precatórios precisavam ser pagos. Os estados e municípios eram obrigados a incluir no orçamento anual os valores necessários para quitar os precatórios em ordem cronológica, e havia um prazo limite para que todo o estoque acumulado fosse quitado.

A EC 136/2025 mudou isso. Ela criou um sistema em que cada estado e município pode pagar os precatórios de acordo com um percentual da sua Receita Corrente Líquida, que é, de forma simplificada, o total de dinheiro que o estado ou município arrecada por mês, descontadas as transferências obrigatórias para outros entes. 

Quanto maior o estoque de precatórios acumulados em relação a essa receita, maior o percentual obrigatório de pagamento, podendo variar de 1% a 5% da Receita Corrente Líquida por ano.

O problema é que, para muitos estados com grandes estoques de dívida, pagar 1% a 5% por ano significa que a fila vai demorar décadas para ser zerada. E a emenda eliminou o prazo limite que havia antes. Não há mais uma garantia de que o estado vai quitar todos os precatórios até determinado ano.

Além disso, a EC 136/2025 mudou o índice de correção dos precatórios, que é o ponto que citamos acima. 

Antes, a correção era pela taxa Selic (a taxa básica de juros da economia). Agora, a correção passou a ser pelo IPCA (o índice oficial de inflação do país) mais juros simples de 2% ao ano. Quando a Selic está alta, como tem sido nos últimos anos, isso significa que o precatório vai crescer menos do que crescia antes.

Como identificar uma empresa confiável para vender seu precatório

O mercado de precatórios, por envolver valores altos e credores frequentemente em situação de vulnerabilidade financeira, infelizmente atrai agentes desonestos. 

Conhecer os sinais que separam uma empresa séria de uma operação duvidosa é essencial antes de assinar qualquer coisa.

Uma empresa que cobra qualquer taxa ou valor adiantado antes de concluir a negociação é um sinal claro de problema. Em uma negociação legítima de cessão de precatório, o credor não paga nada, quem paga é quem compra.

Desconfie também de propostas que prometem pagar o valor integral do precatório sem nenhum deságio. A lógica da operação é que a empresa assume o risco e o prazo de espera em troca de um desconto. Quem promete pagar tudo está ou mentindo ou vai cobrar de outra forma.

Outros sinais de atenção: empresa sem CNPJ verificável no site da Receita Federal, sem endereço físico, sem histórico de operações, sem presença verificável em plataformas de avaliação como o Reclame Aqui e o Google, e que pressiona para uma decisão rápida sem dar tempo para você pensar, pesquisar ou consultar um advogado.

Como o processo funciona na prática?

Como vimos, é importante que o cessário, aquele que compra seu precatório, tenha totais recursos financeiros para poder realizar o pagamento, que geralmente são quantias maiores.

Quando você decide negociar seu precatório com uma empresa especializada, o processo geralmente segue estas etapas:

1Análise inicial do precatórioA empresa recebe as informações básicas: o número do processo, o tipo de precatório (alimentar ou comum), o valor atualizado e o ente devedor (no caso dos federais, a União). Com esses dados, já é possível ter uma estimativa do que pode ser oferecido.
2Due diligence jurídica
Esse termo em inglês significa, literalmente, “diligência devida”. Na prática, é uma verificação completa do precatório: a empresa analisa a autenticidade do título, o histórico do processo, se há recursos pendentes, se o valor está correto e se não há nenhum impedimento jurídico para a negociação. Essa etapa protege tanto quem compra quanto quem vende, porque garante que nenhuma das partes vai se surpreender com um problema depois que o dinheiro já tiver mudado de mãos.
3Proposta e negociaçãoCom a análise completa, a empresa apresenta uma proposta formal. O valor oferecido considera o tipo do precatório, o prazo estimado de pagamento pelo governo, os riscos jurídicos envolvidos e o valor total do crédito. Você tem todo o direito de questionar o cálculo, pedir explicações e comparar propostas de outras empresas antes de aceitar qualquer coisa.
4Assinatura do contrato de cessãoApós aceitar a proposta, é formalizado um contrato de cessão de crédito. Empresas sérias utilizam plataformas de reconhecimento oficial, como o e-Notariado, sistema digital do Colégio Notarial do Brasil regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Isso garante validade jurídica plena ao contrato, com o mesmo valor de um documento reconhecido em cartório.
5Pagamento Com o contrato assinado e a cessão registrada, o valor combinado é transferido para você. Em empresas bem estruturadas, esse pagamento acontece em até 24 horas após a assinatura.

Os documentos que normalmente são solicitados nesse processo incluem: documento de identidade com foto, CPF, comprovante de residência atualizado, cópia do precatório ou do ofício requisitório (o documento oficial expedido pelo tribunal) e, caso você seja representado por um advogado, uma procuração dando poderes a ele para agir em seu nome.

Quem é a PrecPago?

Agora que entende melhor sobre o processo com mais clareza, é importante entender sobre uma das empresas de maior referência no Brasil quanto o assunto é Precatório Federal.

A PrecPago é uma empresa brasileira especializada na compra de precatórios federais, com operação há quase uma década. Ao longo desse período, a empresa construiu um histórico de mais de R$ 500 milhões em transações realizadas e mais de 3 mil credores atendidos em todo o Brasil.

A PrecPago atua com uma rede de mais de 400 advogados e escritórios parceiros distribuídos pelo país. Esses parceiros auxiliam no acompanhamento jurídico das operações, mas são profissionais e escritórios independentes, o que permite que a empresa atenda credores de diferentes estados e perfis de precatórios.

As operações são formalizadas por meio do e-Notariado, plataforma oficial do Colégio Notarial do Brasil, o que garante validade jurídica e segurança documental em cada negociação.

A reputação da empresa pode ser verificada diretamente nas plataformas independentes: a PrecPago mantém avaliação de 5 estrelas no Google e uma página verificada no Reclame Aqui sem nenhuma reclamação registrada. O CNPJ da empresa é 41.499.568/0001-86, ativo e consultável no site da Receita Federal.

Como funciona a negociação com a PrecPago?

O processo começa pelo preenchimento de um formulário de interesse no site da PrecPago. A equipe entra em contato, solicita as informações do precatório, faz a análise e apresenta uma proposta. 

Se você aceitar, o contrato é assinado digitalmente e o pagamento pode ser realizado em até 24 horas após a assinatura. Não há taxa de análise, não há cobrança antecipada de nenhum tipo. A proposta é gratuita e sem compromisso.

Lembre-se que é importante que seu advogado faça parte de todos os momentos, aqui na PrecPago e possa ir também te auxiliando em caso de dúvidas.

Bancos tradicionais Empresas especializadas PrecPago 
Compra precatório federal? NãoSimSim
Agilidade no processo Não aplicávelVariávelPagamento em até 24h 
Due diligence jurídicaNão aplicávelDependeRealizada em cada operação
Transparência contratual Não aplicávelVariávelContrato via e-Notariado 
Reputação verificável Não aplicávelVariável5 estrelas no Google, zero reclamações no Reclame Aqui

Dúvidas frequentes que podem te ajudar:

Como funciona a compra e venda de precatórios federais?
O credor cede o seu direito de crédito a uma empresa especializada, que paga um valor à vista com deságio (desconto) sobre o montante total. A operação é formalizada mediante escritura pública ou instrumento particular e protocolada no tribunal de origem, sendo garantida expressamente pelo art. 100, §§ 13 e 14 da Constituição Federal e regida pelos arts. 286 a 298 do Código Civil.
Quem pode comprar um precatório federal?
Qualquer pessoa física ou jurídica pode, juridicamente, adquirir um precatório. Na prática, quem opera nesse mercado são empresas especializadas com estrutura jurídica e financeira para realizar a auditoria dos autos e a cessão de crédito. Bancos comerciais tradicionais não costumam oferecer esse serviço diretamente no balcão.
É seguro vender um precatório federal?
Sim, desde que a negociação seja feita com uma empresa idônea, com contrato formalizado e sem qualquer tipo de cobrança de taxas antecipadas. A operação de cessão de crédito possui respaldo no art. 100, § 13 da Constituição Federal e é uma prática consolidada e regulada no mercado financeiro e jurídico brasileiro.
Quanto tempo leva o processo de compra?
O prazo varia conforme a complexidade da análise documental do processo judicial. Ao negociar com a PrecPago, após a validação das certidões e a assinatura do contrato de cessão, o pagamento do valor acordado ao credor é realizado em até 24 horas.
Banco compra precatório federal?
Não é uma prática oferecida pela rede bancária tradicional em suas operações de varejo. A antecipação ou aquisição de ativos judiciais é conduzida por empresas e fundos especializados na gestão de direitos creditórios, como a PrecPago.

Converse com um dos consultores da PrecPago para poder realizar a antecipação de seu precatório e para ter mais informações. Acesse o site oficial na página Quero Vender, para preencher seus dados.

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